A tentativa do Governo de alterar a legislação laboral contra a vontade expressa dos trabalhadores e dos seus sindicatos representa um grave desrespeito pelos princípios da democracia participativa, do diálogo social e da negociação!
Quando um Governo procura avançar com mudanças que afetam diretamente os salários, os horários, a estabilidade no emprego e os direitos coletivos sem o apoio daqueles que serão mais afetados por essas decisões, está a colocar os interesses económicos de uma minoria acima dos direitos da maioria que vive do seu trabalho.
Os argumentos da competitividade e da modernização foram frequentemente utilizados para justificar a redução de direitos laborais. No entanto, a realidade demonstra que os trabalhadores portugueses já enfrentam baixos salários, precariedade, dificuldades de acesso à habitação e um aumento constante do custo de vida. Perante este cenário, retirar direitos ou enfraquecer mecanismos de proteção laboral como pretende o Governo não resolve os problemas estruturais da economia portuguesa; apenas agrava as desigualdades existentes.
O Governo argumenta também falsamente que as medidas propostas são necessárias para aumentar a produtividade?
A realidade é que países com elevados níveis de proteção dos trabalhadores continuam a apresentar elevados índices de produtividade, inovação e desenvolvimento económico.
É particularmente significativo que estas alterações não tenham conseguido reunir consenso parlamentar nem apoio sindical. Tal facto demonstra que não existe legitimidade política nem social para avançar com uma reforma desta natureza. Numa democracia, a legislação laboral deve resultar do debate, da negociação e da procura de soluções equilibradas, e não da imposição de medidas rejeitadas pelos representantes dos trabalhadores.
A história do movimento laboral em Portugal mostra que os direitos hoje considerados fundamentais – limites ao horário de trabalho, contratação coletiva, proteção no desemprego e segurança no emprego – foram conquistados através da ação social dos trabalhadores e não oferecidos por iniciativa dos governos ou dos grupos económicos. Por isso, qualquer tentativa de enfraquecer esses direitos encontrará inevitavelmente resistência.
Defender os direitos laborais não é defender privilégios. É defender a dignidade do trabalho, a justiça social e uma economia que coloque as pessoas acima dos interesses financeiros. Um país não se torna mais moderno por reduzir direitos; torna-se mais moderno quando distribui melhor a riqueza que produz, valoriza os trabalhadores e reforça a democracia nas empresas.
Nenhum governo tem mandato para desvalorizar o trabalho em nome de uma suposta competitividade.
Num Estado de Direito democrático, reformas com impacto tão significativo exigem debate público, escrutínio parlamentar e participação ativa dos parceiros sociais. Quando estes elementos estão ausentes, a legitimidade política e social das mudanças fica inevitavelmente enfraquecida.
Por estas razões, a alteração da lei laboral sem aprovação parlamentar e sem o apoio dos trabalhadores e dos sindicatos merece uma análise crítica e uma oposição fundamentada, em defesa do diálogo social, da negociação, da democracia participativa e dos direitos laborais.
Significa isto que não é necessária a alteração à lei?
Claro que o STPT considera que no actual contexto de evolução Tecnológica, se torna essencial e urgente produzir leis que criem equilíbrio entre os direitos e proteção dos trabalhadores com a melhoria da produtividade e sustentabilidade económica das empresas. STPT, 22 de Junho de 2026





